As relações no além-túmulo

20 trechos

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  1. Questão 274
  2. Questão 274-a
  3. Questão 275
  4. Questão 275-a
  5. Questão 276
  6. Questão 277
  7. Questão 278
  8. Questão 279
  9. Questão 280
  10. Questão 281
  11. Questão 282
  12. Questão 283
  13. Questão 284
  14. Questão 285
  15. Questão 285-a
  16. Questão 286
  17. Questão 287
  18. Questão 288
  19. Questão 289
  20. Questão 290

Questão 274:

Da existência de diferentes ordens de Espíritos, resulta para estes alguma hierarquia de poderes? Há entre eles subordinação e autoridade?

“Muito grande. Os Espíritos têm uns sobre os outros a autoridade correspondente ao grau de superioridade que hajam alcançado, autoridade que eles exercem por um ascendente moral irresistível.”

Questão 274-a:

Podem os Espíritos inferiores subtrair-se à autoridade dos que lhes são superiores?

“Eu disse: irresistível.”

Questão 275:

O poder e a consideração de que um homem gozou na Terra lhe dão supremacia no mundo dos Espíritos?

“Não; pois que os pequenos serão elevados e os grandes rebaixados. Lê os Salmos.”

Questão 275-a:

Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento?

“Não sabes que os Espíritos são de diferentes ordens, conforme seus méritos? Pois bem, o maior da Terra pode pertencer à última categoria entre os Espíritos, ao passo que o seu servo pode estar na primeira. Compreendes isto? Não disse Jesus: Aquele que se humilhar será exalçado e aquele que se exalçar será humilhado?”

Questão 276:

Aquele que foi grande na Terra e que, como Espírito, vem a achar-se entre os de ordem inferior, experimenta com isso alguma humilhação?

“Às vezes bem grande, mormente se era orgulhoso e invejoso.”

Questão 277:

O soldado que depois da batalha se encontra com o seu general, no mundo dos Espíritos, ainda o tem por seu superior?

“O título nada vale, a superioridade real é que tem valor.”

Questão 278:

Os Espíritos das diferentes ordens se acham misturados uns com os outros?

“Sim e não. Quer dizer: eles se veem, mas se distinguem uns dos outros. Evitam-se ou se aproximam, conforme à simpatia ou à antipatia que reciprocamente uns inspiram aos outros, tal qual sucede entre vós. Constituem um mundo do qual o vosso é pálido reflexo. Os da mesma categoria se reúnem por uma espécie de afinidade e formam grupos ou famílias, unidos pelos laços da simpatia e pelos fins a que visam: os bons, pelo desejo de fazerem o bem; os maus, pelo de fazerem o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se acharem entre os que se lhes assemelham.”

Questão 279:

Todos os Espíritos têm reciprocamente acesso aos diferentes grupos ou sociedades que eles formam?

“Os bons vão a toda parte e assim deve ser, para que possam influir sobre os maus. As regiões, porém, que os bons habitam estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que não as perturbem com suas paixões inferiores.”

Questão 280:

De que natureza são as relações entre os bons e os maus Espíritos?

“Os bons se ocupam em combater as más inclinações dos outros, a fim de ajudá-los a subir. É uma missão.”

Questão 281:

Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos induzir ao mal?

“Pelo despeito que lhes causa o não terem merecido estar entre os bons. Seu desejo é impedir, quanto possam, que os Espíritos ainda inexperientes alcancem o supremo bem. Querem que os outros experimentem o que eles próprios experimentam. Isto não se dá também entre vós outros?”

Questão 282:

Como se comunicam entre si os Espíritos?

“Eles se veem e se compreendem. A palavra é material: é o reflexo do Espírito. O fluido universal estabelece entre eles constante comunicação; é o veículo da transmissão do pensamento, como, para vós, o ar o é do som. É uma espécie de telégrafo universal, que liga todos os mundos e permite que os Espíritos se correspondam de um mundo a outro.”

Questão 283:

Podem os Espíritos, reciprocamente, dissimular seus pensamentos? Podem ocultar-se uns dos outros?

“Não; para os Espíritos, tudo é patente, sobretudo para os perfeitos. Podem afastar-se uns dos outros, mas sempre se veem. Isto, porém, não constitui regra absoluta, porquanto certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis a outros Espíritos, se julgarem útil fazê-lo.”

Questão 284:

Como podem os Espíritos, não tendo mais corpo, constatar suas individualidades e distinguir-se dos outros seres espirituais que os rodeiam?

“Constatam suas individualidades pelo perispírito, que os torna distinguíveis uns dos outros, como faz o corpo entre os homens.”

Questão 285:

Os Espíritos se reconhecem por terem coabitado a Terra? O filho reconhece o pai, o amigo reconhece o seu amigo?

“Perfeitamente e, assim, de geração em geração.”

Questão 285-a:

Como é que os que se conheceram na Terra se reconhecem no mundo dos Espíritos?

“Vemos a nossa vida passada e lemos nela como em um livro. Vendo a dos nossos amigos e dos nossos inimigos, aí vemos a passagem deles da vida corporal à outra.”

Questão 286:

Deixando seus despojos mortais, a alma vê imediatamente os parentes e amigos que a precederam no mundo dos Espíritos?

Imediatamente nem sempre é o termo próprio. Como já dissemos, é-lhe necessário algum tempo para que ela se reconheça a si mesma e alije o véu material.”

Questão 287:

Como é acolhida a alma no seu regresso ao mundo dos Espíritos?

“A do justo, como bem-amado irmão, desde muito tempo esperado. A do mau, como um ser a quem se despreza.”

Questão 288:

Que sentimento desperta nos Espíritos impuros a chegada entre eles de outro Espírito mau?

“Os maus ficam satisfeitos quando veem seres que se lhes assemelham e, como eles, privados da infinita ventura, qual na Terra um bandido entre seus iguais.”

Questão 289:

Nossos parentes e amigos costumam vir-nos ao encontro quando deixamos a Terra?

“Sim, os Espíritos vão ao encontro da alma a quem são afeiçoados. Felicitam-na, como se regressasse de uma viagem, escapando aos perigos da estrada, e ajudam-na a desprender-se dos liames corporais. É uma graça concedida aos Espíritos bons o lhes virem ao encontro os que os amam, ao passo que aquele que se acha maculado permanece em insulamento, ou só tem a rodeá-lo os que lhe são semelhantes. É uma punição.”

Questão 290:

Os parentes e amigos sempre se reúnem depois da morte?

“Depende isso da elevação deles e do caminho que seguem, procurando progredir. Se um está mais adiantado e caminha mais depressa do que outro, não podem os dois conservar-se juntos. Ver-se-ão de tempos a tempos, mas não estarão reunidos para sempre senão quando puderem caminhar lado a lado, ou quando se houverem igualado na perfeição. Acresce que a privação de ver os parentes e amigos é, às vezes, uma punição.”

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