A resposta dos Espíritos é clara: o Espiritismo não ficará restrito a um pequeno grupo de adeptos, mas se tornará conhecimento amplamente aceito pela humanidade. Isso acontecerá porque a doutrina espírita corresponde a verdades naturais cujo tempo de revelação chegou. Não se trata de invenção humana passageira, mas de conhecimento que faz parte da ordem das coisas e que a humanidade está pronta para receber.
Os Espíritos alertam, porém, que haverá resistência significativa — não tanto de pessoas genuinamente convictas do contrário, mas principalmente daquelas que têm interesses pessoais em combater a doutrina. Algumas se oporão por orgulho, por não quererem admitir que estavam erradas; outras, por motivos puramente materiais, como perda de poder ou vantagens que a velha ordem lhes garantia. Com o tempo, essas vozes contrárias ficarão cada vez mais isoladas, até que se vejam obrigadas a mudar de posição para não parecerem ultrapassadas.
Kardec acrescenta uma observação importante sobre como as ideias evoluem na sociedade: nunca de forma abrupta, mas gradualmente, ao longo de gerações. Os que defendem ideias antigas vão sendo substituídos por pessoas formadas em novos princípios. Assim foi com o paganismo, que levou séculos para desaparecer completamente mesmo após o surgimento do Cristianismo. O Espiritismo seguirá caminho semelhante, com resistências que durarão duas ou três gerações. Contudo, seu avanço será mais rápido porque não precisa destruir para construir — o Cristianismo já preparou o terreno, e o Espiritismo vem apenas completar e esclarecer o que antes foi ensinado de forma velada.