Aqueles que açambarcam os bens da Terra para proporcionar a si mesmos o supérfluo enquanto outros carecem do necessário desprezam a lei de Deus e terão de responder pelas privações que causaram aos semelhantes. A acumulação excessiva à custa da miséria alheia constitui crime espiritual grave, independentemente de ser ou não reconhecido como tal pelas leis humanas. A responsabilidade recai sobre quem acumula sabendo que outros passam necessidade.
Kardec pondera que o limite entre necessário e supérfluo não é absoluto — a civilização criou necessidades que o selvagem desconhece, e cabe à razão individual regrar essas questões conforme as circunstâncias. Contudo, os que vivem à custa das privações alheias exploram os benefícios da civilização possuindo apenas seu verniz exterior, assim como muitos possuem da religião apenas a máscara. A civilização verdadeira desenvolve simultaneamente o senso moral e o sentimento de caridade, levando os homens a se prestarem mútuo apoio. Quem acumula indiferente ao sofrimento circundante é civilizado apenas na aparência.