Deus, tendo criado no homem a necessidade de viver, facultou-lhe em todos os tempos os meios de satisfazê-la. Se o ser humano não encontra esses meios, é porque não os compreende ou não sabe utilizá-los adequadamente. Seria impossível que Deus criasse a necessidade sem prover os recursos para atendê-la — tal seria contradição incompatível com a sabedoria e bondade divinas. A Terra produz o suficiente para proporcionar o necessário a todos que a habitam.
A providência divina garante recursos bastantes para todos; a escassez que existe resulta não de falha na provisão natural, mas de incompreensão ou má distribuição humana. A distinção entre necessário e supérfluo é fundamental na economia espírita da vida: só o necessário é verdadeiramente útil; o supérfluo nunca o é, pois desvia recursos que poderiam suprir necessidades reais, cria dependências artificiais e distrai o espírito de suas genuínas aspirações. A natureza é pródiga no essencial e econômica no dispensável — lição que a humanidade ainda não aprendeu a aplicar em sua organização social.