O trabalho se impõe ao ser humano como consequência necessária de sua natureza corpórea — não é maldição nem castigo arbitrário, mas exigência natural da condição encarnada. Cumpre dupla função: é simultaneamente expiação de faltas passadas e meio de aperfeiçoamento da inteligência. Sem trabalho, o homem permaneceria perpetuamente na infância quanto ao desenvolvimento intelectual, pois é pelo exercício das faculdades que estas se desenvolvem. Por isso seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem de sua atividade própria.
A compensação divina opera para que ninguém fique impossibilitado de trabalhar e progredir: ao que é muito fraco de corpo, Deus outorgou inteligência mais desenvolvida para suprir essa limitação física. Usar a inteligência é também trabalhar — o trabalho intelectual não é menos trabalho que o manual. Esta compreensão elimina qualquer pretexto para ociosidade: todos podem e devem contribuir segundo suas capacidades específicas. O trabalho dignifica porque desenvolve; a ociosidade degrada porque paralisa. A lei do trabalho é universal, aplicando-se a todas as condições e adaptando-se a todas as circunstâncias pessoais.