A questão sobre a culpabilidade do selvagem que pratica canibalismo por seguir os costumes de seu povo ilustra um princípio fundamental da justiça divina: a responsabilidade moral é proporcional ao conhecimento. O mal depende da vontade consciente. Quanto mais claramente alguém sabe que está fazendo algo errado, maior sua culpa. O selvagem que desconhece outra forma de vida tem responsabilidade muito menor do que alguém instruído que comete a mesma ação.
Kardec desenvolve esse princípio com um exemplo contundente: aos olhos de Deus, o homem esclarecido que pratica uma simples injustiça é mais culpado do que o selvagem ignorante que segue seus instintos mais primitivos. As circunstâncias — educação recebida, ambiente cultural, oportunidades de aprender — atenuam ou agravam a responsabilidade de cada um. Não existe medida única de culpa aplicável a todos; a justiça divina considera os meios que cada pessoa teve para distinguir o certo do errado.