Os órgãos físicos exercem influência significativa sobre a manifestação das faculdades do Espírito, mas não são a origem dessas faculdades — distinção fundamental. A analogia musical é perfeita: um músico virtuoso com instrumento defeituoso não conseguirá produzir boa música, mas nem por isso deixa de ser excelente músico. Suas habilidades permanecem intactas; apenas a expressão delas fica comprometida pelo instrumento inadequado.
Kardec acrescenta distinção importante entre estado normal e patológico. Em condições normais, a força moral consegue superar os obstáculos que a matéria opõe. Em casos patológicos como idiotismo e loucura, porém, a resistência material é tão intensa que as manifestações da alma ficam bloqueadas ou distorcidas. Nesses casos, a própria lei humana reconhece que a pessoa não goza de plena liberdade e a isenta de responsabilidade por seus atos. O Espírito está presente e íntegro, mas impossibilitado de se expressar através de um instrumento severamente danificado.