A separação da alma e do corpo não é dolorosa para a alma. O corpo frequentemente sofre mais durante a vida do que no momento da morte, e a alma não participa desse sofrimento físico final. Mais que isso: os sofrimentos experimentados no instante da morte são, para o Espírito, motivo de gozo — ele vê chegar o termo de seu exílio terrestre e a libertação que tanto aguardava.
Kardec complementa com imagem esclarecedora: na morte natural por esgotamento dos órgãos em consequência da idade, o homem deixa a vida sem perceber, como uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. A morte, longe de ser o terror que muitos imaginam, pode constituir libertação e alívio para o Espírito. O medo da morte é construção da ignorância sobre a natureza real do processo; quem compreende a continuidade da vida além do corpo encara a transição com serenidade ou mesmo com alegria antecipada.