A aparente contradição entre definir a alma como Espírito encarnado (ser individual e distinto) e como “centelha anímica emanada do grande Todo” não é contradição real — depende inteiramente da acepção em que se emprega a palavra. A linguagem humana carece de termos específicos para cada conceito distinto, gerando equívocos e discussões intermináveis quando os interlocutores usam o mesmo vocábulo com significados diferentes.
Kardec esclarece a distinção fundamental: quando se chama “alma” ao princípio da vida que anima os seres orgânicos, pode-se dizer figuradamente que é centelha emanada do grande Todo — a fonte universal do princípio vital de que cada ser absorve uma porção e à qual retorna após a morte. Quando, porém, se chama “alma” ao ser moral, distinto e independente da matéria, que conserva sua individualidade após a separação do corpo, então alma é sinônimo de Espírito encarnado. Ambas as definições podem ser corretas, referindo-se a realidades diferentes designadas pelo mesmo nome. Os Espíritos superiores recomendam que, antes de qualquer discussão doutrinária, os interlocutores estabeleçam acordo prévio sobre o significado preciso das palavras que empregam.