Os seres conhecidos nas tradições religiosas como anjos, arcanjos e serafins não constituem categoria especial de natureza essencialmente diferente dos demais Espíritos. São simplesmente os Espíritos puros — aqueles que atingiram o mais alto grau da escala evolutiva e reúnem em si todas as perfeições possíveis à criatura. Não foram criados à parte nem possuem privilégios de origem; chegaram à condição angélica pelo mesmo caminho de progresso que todos os Espíritos percorrem.
Kardec observa que a palavra “anjo” geralmente evoca a ideia de perfeição moral, mas nas tradições populares também é empregada para designar quaisquer seres fora da humanidade, bons ou maus — fala-se do anjo bom e do anjo mau, do anjo de luz e do anjo das trevas. Nesse uso amplo, “anjo” é sinônimo de “Espírito” ou “gênio”. No contexto espírita, o termo é tomado em sua acepção positiva: designa os Espíritos que alcançaram a perfeição possível, servindo de modelos e protetores para os que ainda percorrem o caminho evolutivo. A hierarquia celestial das religiões tradicionais corresponde aos diferentes graus de elevação dos Espíritos.