O inferno e o paraíso, como lugares físicos específicos onde almas são enviadas após a morte, não existem — são alegorias. Por toda parte no universo há Espíritos felizes e infelizes, conforme sua condição moral. Os de mesma ordem se reúnem naturalmente por afinidade, atraídos uns aos outros pela semelhança de sentimentos e aspirações. Os que atingiram a perfeição podem se reunir onde quiserem, pois não estão limitados por nenhuma restrição.
Kardec observa que a ideia de regiões absolutamente demarcadas para prêmios e castigos existe apenas na imaginação humana. Provém de nossa tendência a materializar e circunscrever o que não conseguimos compreender em sua natureza infinita. Precisamos de mapas, fronteiras, endereços — mas a realidade espiritual não funciona assim. O céu e o inferno são estados de consciência, não coordenadas geográficas. Carregamos conosco nossa bem-aventurança ou nosso tormento, onde quer que estejamos.