Quem perece vítima de paixões que sabia lhe apressariam o fim, mas às quais já não conseguia resistir por havê-las o hábito transformado em necessidades físicas aparentemente irresistíveis, comete suicídio moral. A morte não vem de causa externa nem de acidente — resulta de escolhas deliberadas mantidas ao longo do tempo apesar do conhecimento de suas consequências fatais. É duplamente culpado: demonstra falta de coragem para enfrentar e vencer as paixões, e bestialidade ao entregar-se a elas como animal irracional, tudo agravado pelo esquecimento de Deus e dos deveres espirituais.
A morte lenta por vícios conscientemente mantidos — alcoolismo, toxicomania, gula destrutiva, qualquer excesso que sabidamente encurta a vida — constitui suicídio disfarçado sob aparência de fatalidade. A responsabilidade é agravada precisamente pela consciência do processo e pela recusa de combatê-lo quando ainda havia tempo e possibilidade. Alegar que o hábito se tornou necessidade invencível não absolve, pois foi a própria pessoa que, por repetição voluntária, criou essa necessidade artificial. A transformação do vício em compulsão não elimina a culpa; apenas revela a profundidade da degradação moral a que o indivíduo se permitiu chegar.