As decepções oriundas da ingratidão alheia não devem endurecer o coração nem fechá-lo à sensibilidade — permitir isso seria grave erro. O homem de coração genuíno sente-se feliz pelo bem que faz, independentemente do reconhecimento que recebe ou deixa de receber. A satisfação está no ato de fazer o bem, não na gratidão que eventualmente desperta. Se o benefício for esquecido nesta vida, será lembrado em outra; o ingrato, por sua vez, sentirá vergonha e remorsos pela ingratidão quando tiver consciência mais clara de seus atos.
A bondade não deve deixar-se corromper pela experiência da ingratidão. Quem faz o bem esperando reconhecimento faz-lo por motivo interesseiro e sofrerá inevitavelmente decepções; quem faz o bem pelo prazer intrínseco de ser útil ao próximo permanece imune às frustrações que a ingratidão produz. O bem feito tem valor em si mesmo, registrado na consciência de quem o pratica e na economia moral do universo, independentemente de ser ou não apreciado por seus beneficiários imediatos. Fechar o coração por causa de ingratos é punir os futuros necessitados pelos erros de outros — injustiça que empobrece principalmente quem a comete.