Pessoas que, embora não sejam positivamente más no sentido de praticarem maldades deliberadas, tornam infelizes pelo seu caráter difícil todos os que as cercam, não podem ser consideradas verdadeiramente boas. A bondade não se define apenas pela ausência de atos maus, mas pela presença de influência benéfica sobre os outros. Quem espalha infelicidade ao redor, ainda que sem intenção explícita de prejudicar, produz mal e responderá por ele.
A expiação virá de duas formas complementares: primeiro, pela visão clara, após a morte, de todos aqueles a quem infelicitaram — confronto doloroso que funciona como expropriação moral, despojando o Espírito de ilusões sobre si mesmo. Depois, em existência futura, sofrerão o que fizeram sofrer, experimentando na própria pele as consequências do caráter que impuseram aos outros. A lei de causa e efeito não distingue entre maldade direta e maldade indireta; o resultado é o critério. Caráter irritadiço, temperamento tirânico, humor instável que aterroriza os próximos — tudo isso gera sofrimento e colherá proporcionalmente, ainda que quem o produza não se considere pessoa má.