A lembrança das faltas cometidas durante o período de imperfeição não turba a felicidade da alma que se purificou, porque ela resgatou completamente essas faltas e saiu vitoriosa das provas a que se submeteu precisamente para esse fim. O passado permanece conhecido — a memória não se apaga — mas não mais constitui fonte de dor ou remorso. A dívida foi paga; a ferida cicatrizou; resta apenas a recordação serena do que foi superado.
O resgate completo transforma a natureza da memória. O que antes era lembrança aflitiva de culpa não expiada torna-se testemunho de vitória conquistada. A alma purificada pode contemplar seu passado imperfeito sem perturbação porque não há mais nada a corrigir, nada pendente, nenhuma consequência a temer. A cicatriz permanece como marca da batalha travada e vencida, não como ferida aberta que continua a doer. Esta compreensão oferece esperança aos que sofrem sob o peso de faltas passadas: o arrependimento sincero seguido de reparação efetiva conduz a estado em que a própria memória do mal deixa de ser tormento para tornar-se apenas história superada.