No mundo espiritual, onde nada permanece oculto, todos os atos reprováveis de uma pessoa ficam expostos. Para quem praticou o mal, a presença constante de suas vítimas — que podem vê-lo e que ele não pode evitar — constitui castigo mais severo do que se imagina. Porém, esse tormento não é eterno: dura apenas até que o culpado tenha expiado suas faltas, seja no próprio mundo espiritual, seja através de novas existências corporais dedicadas à reparação.
Kardec desenvolve o tema com força: já na Terra, para o malfeitor, não há tormento maior que a presença de suas vítimas — por isso as evita constantemente. Imagine-se então quando, no mundo espiritual, não houver mais como escapar; quando a hipocrisia for desmascarada, os atos secretos revelados, e as vítimas estiverem permanentemente presentes. Enquanto a alma do perverso é consumida por vergonha, pesar e remorso, a do justo desfruta de perfeita serenidade, encontrando por toda parte apenas olhares amigos e benevolentes.