Os sofrimentos dos Espíritos inferiores são tão variados quanto as causas que os determinam, e proporcionais ao grau de inferioridade moral em que se encontram, assim como os gozos dos Espíritos elevados são proporcionais ao grau de superioridade que alcançaram. A diversidade de condições no mundo espiritual reflete a diversidade de estados morais — não há uniformidade nem no sofrimento nem na felicidade.
Esses sofrimentos podem resumir-se assim: invejar o que lhes falta para ser felizes sem conseguir obtê-lo; contemplar a felicidade alheia sem poder alcançá-la para si; experimentar pesar, ciúme, raiva e desesperança diante do que os impede de ser ditosos; sentir remorsos pelas faltas cometidas e ansiedade moral indefinível quanto ao próprio destino. Desejam intensamente todos os gozos mas não podem satisfazer nenhum deles — eis o que os tortura. O sofrimento do Espírito inferior é essencialmente frustração dolorosa e consciência aguda de sua própria condição degradada, sem possibilidade de fuga ou distração como as que a vida material proporciona. A única saída é o progresso moral que gradualmente transforma a condição interior.