O suicídio cometido para evitar que vergonha recaia sobre filhos ou família não constitui ato bom, mas a intenção de proteger os entes queridos atenua a falta. Como quem assim procede pensa estar fazendo bem, Deus leva isso em conta — é uma expiação que a pessoa impõe a si mesma. A intenção, porém, não elimina completamente a falta. Os Espíritos acrescentam observação social importante: eliminando os abusos e preconceitos da sociedade, deixarão de existir esses suicídios motivados por vergonha.
Kardec aprofunda: quem se mata para fugir à vergonha demonstra dar mais valor à estima dos homens que à de Deus, voltando ao mundo espiritual carregado de suas iniquidades e privado dos meios de repará-las durante a vida corpórea. Deus é frequentemente menos inexorável que os homens — perdoa aos que sinceramente se arrependem e permite reparação. O suicídio, porém, nada repara; apenas interrompe prematuramente a oportunidade de correção que a existência terrena oferecia.