O homem tem direito legítimo de defender os bens conseguidos por seu trabalho honesto. Os mandamentos divinos confirmam isso: “Não roubarás” pressupõe que existe propriedade legítima a ser respeitada; “Dai a César o que é de César” reconhece distinção entre o que pertence a cada um. A propriedade não é roubo quando resulta de esforço próprio aplicado de modo honesto.
Kardec esclarece o fundamento: o que se acumula por trabalho honesto constitui propriedade legítima que se tem direito de defender, porque a propriedade resultante do trabalho é direito natural tão sagrado quanto o direito de trabalhar e o direito de viver. Estes três direitos formam cadeia indissociável: se o homem tem direito à vida, tem direito ao trabalho que a sustenta; se tem direito ao trabalho, tem direito ao fruto desse trabalho. Negar a propriedade legítima equivale a negar o próprio direito de existir dignamente. A defesa dos bens honestamente adquiridos não é egoísmo, mas exercício de direito natural.