No ser humano em estado selvagem ou primitivo, predomina o instinto sobre o livre-arbítrio, mas isso não significa ausência completa de liberdade. Mesmo o selvagem age com inteira liberdade em relação a certas coisas, aplicando essa liberdade principalmente às suas necessidades imediatas, assim como faz a criança. A liberdade se amplia progressivamente junto com o desenvolvimento da inteligência — quanto mais esclarecido o indivíduo, mais amplo o campo de suas escolhas conscientes.
Desta compreensão decorre princípio fundamental de responsabilidade moral: quem é mais esclarecido é também mais responsável pelos seus atos. O ser humano civilizado e instruído responde muito mais rigorosamente por suas escolhas do que o selvagem ou o ignorante, precisamente porque dispõe de maior conhecimento e mais recursos para discernir entre o bem e o mal. A ignorância atenua a culpa; o conhecimento a agrava. Por isso, aqueles que conhecem a lei moral e a transgridem deliberadamente incorrem em responsabilidade muito maior do que os que erram por desconhecimento. O progresso intelectual deve acompanhar-se de correspondente elevação moral, sob pena de tornar-se fator de agravamento das faltas.