O rico dispõe de meios muito maiores para praticar o bem do que o pobre — mas frequentemente não os utiliza para esse fim. A riqueza tende a tornar a pessoa egoísta, orgulhosa e insaciável. À medida que os recursos aumentam, as necessidades percebidas também crescem, de modo que o rico nunca se sente suficientemente provido. O que deveria ser instrumento de beneficência transforma-se em fonte de novas ambições.
Kardec desenvolve: a posição elevada e o poder sobre outros constituem provas tão difíceis e perigosas quanto a miséria. Quanto maior a riqueza e o poder, maiores as obrigações e mais abundantes os meios tanto para o bem quanto para o mal. Deus prova o pobre pela resignação e o rico pelo uso que faz de seus recursos. Riqueza e poder despertam paixões que prendem à matéria e afastam da perfeição espiritual — por isso Jesus disse que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus. A advertência não condena a riqueza em si, mas alerta para os perigos morais que ela acarreta.