Entre os animais, pais e filhos deixam de reconhecer-se assim que estes não mais necessitam de cuidados porque os animais vivem vida exclusivamente material, não moral. A ternura materna pelos filhotes tem por princípio unicamente o instinto de conservação dos seres que a fêmea gerou. Logo que esses seres podem cuidar de si mesmos, a tarefa instintiva está concluída; nada mais a natureza exige. Por isso a mãe os abandona para dedicar-se aos recém-vindos que necessitam de sua atenção.
Este comportamento animal, perfeitamente adequado à função biológica limitada que cumpre, não serve de modelo para o ser humano. A família humana transcende a função reprodutiva e de criação física — possui dimensão moral que perdura além da dependência material dos filhos. Os laços familiares humanos envolvem afetos, deveres e responsabilidades que não cessam quando os filhos atingem autonomia física. Aplicar ao homem o padrão animal seria ignorar a diferença essencial entre vida puramente material e vida moral, reduzindo a humanidade à animalidade que deve justamente superar pelo progresso espiritual.