Quando as probabilidades de morte são equivalentes para ambos os duelistas, o ato configura simultaneamente assassínio e suicídio. Cada participante tenta deliberadamente matar o adversário enquanto se expõe conscientemente ao risco de morrer. A reciprocidade do perigo não atenua a gravidade moral; pelo contrário, duplica a culpa de cada um.
Kardec desenvolve a análise: em todos os casos de duelo, mesmo quando as chances são idênticas para ambos os combatentes, o duelista incorre em culpa dupla. Primeiro, porque atenta friamente e com propósito deliberado contra a vida de seu semelhante — não em defesa própria nem em momento de descontrole, mas por decisão calculada. Segundo, porque expõe inutilmente sua própria vida sem proveito para ninguém — arrisca a existência não por causa nobre nem por necessidade, mas por vaidade ferida ou convenção social absurda. O duelo combina assim a tentativa de homicídio com a temeridade suicida, agravadas pela frieza da premeditação e pela futilidade dos motivos que geralmente o provocam.