As vítimas dos flagelos naturais continuam sendo vítimas em termos de sofrimento imediato, mas se pudessem considerar a vida terrena em relação ao infinito da existência espiritual, atribuiriam menor importância a essas vicissitudes passageiras. Em outra vida, encontrarão ampla compensação pelos sofrimentos experimentados, desde que saibam suportá-los sem murmurar — a resignação ativa diante do inevitável transforma o sofrimento em instrumento de progresso e mérito.
Kardec acrescenta perspectiva esclarecedora: venha a morte por flagelo coletivo ou por causa comum individual, ninguém deixa de morrer quando soa a hora determinada para sua partida. A diferença nos flagelos é apenas que maior número de pessoas parte simultaneamente. Se pudéssemos elevar o pensamento para contemplar a humanidade inteira em seu conjunto e em sua trajetória milenar, os mais terríveis flagelos pareceriam não mais que tempestades passageiras no destino do mundo — perturbações momentâneas num processo muito mais vasto de evolução coletiva. A perspectiva espiritual não nega o sofrimento, mas o contextualiza numa visão mais ampla que permite suportá-lo com maior serenidade.