Quem busca nos excessos de todo gênero o requinte dos prazeres está próximo simultaneamente da morte física e da morte moral — de ambas. Os excessos destroem o corpo através das doenças e enfermidades que provocam, e corrompem a alma através da degradação moral que acarretam. As duas mortes caminham juntas, alimentando-se mutuamente num ciclo de deterioração progressiva.
Kardec desenvolve a análise: tal pessoa coloca-se abaixo do próprio animal, que instintivamente sabe deter-se quando sua necessidade está satisfeita. O ser humano que se entrega aos excessos abdica da razão que Deus lhe concedeu como guia, conferindo preponderância crescente à natureza animal sobre a espiritual. Quanto maiores os excessos, maior esse desequilíbrio. As doenças, enfermidades e a própria morte que resultam do abuso são simultaneamente consequência natural e castigo pela transgressão da lei de Deus. A lei natural pune automaticamente quem a viola, sem necessidade de intervenção divina especial — as consequências estão inscritas na própria estrutura das coisas.