Pessoas que oram muito mas permanecem de mau caráter — ciumentas, invejosas, intratáveis, carentes de benevolência e indulgência, às vezes até viciosas — demonstram que o essencial não é a quantidade de preces, mas sua qualidade. Essas pessoas supõem erradamente que o mérito está na extensão ou frequência das orações e fecham os olhos para os próprios defeitos que deveriam corrigir. Fazem da prece uma ocupação mecânica, um preenchimento de tempo, jamais um verdadeiro estudo de si mesmas.
A prece genuína inclui necessariamente autoexame e propósito sincero de melhoria moral. Quando se reduz a rotina mecânica, repetição de fórmulas sem reflexão interior correspondente, perde completamente sua eficácia transformadora. O remédio em si é bom e poderoso; é a maneira de aplicá-lo que está errada. Orar verdadeiramente significa colocar-se diante de Deus com humildade, reconhecer as próprias falhas, pedir forças para superá-las e comprometer-se efetivamente com a transformação. Sem esse componente de autocrítica e propósito de reforma, a oração mais eloquente e prolongada permanece estéril, mero exercício de autoengano piedoso.