Deus facultou a todos os seres humanos os meios de conhecer sua lei — ninguém está excluído dessa possibilidade por sua condição de nascimento, cultura ou época histórica. Contudo, nem todos a compreendem igualmente. Os homens de bem e os que se dedicam sinceramente a investigá-la são os que melhor a compreendem, porque a disposição moral favorece a compreensão espiritual. Todos, porém, a compreenderão um dia, pois o progresso é lei universal que forçosamente se cumprirá.
Kardec extrai consequência fundamental para a compreensão da justiça divina: as diversas encarnações do ser humano são necessárias precisamente porque em cada nova existência sua inteligência se desenvolve mais e ele compreende melhor o que é bem e o que é mal. Se tudo devesse ser ultimado numa só existência, qual seria a sorte dos milhões de seres que morrem no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que deles tenha dependido esclarecer-se? A pluralidade das existências é exigência da justiça divina: oferece a todos oportunidades equivalentes de compreensão e progresso, independentemente das circunstâncias particulares de cada vida isolada.