O Espírito encarnado não permanece de bom grado em seu envoltório corporal — perguntar isso é como perguntar se ao prisioneiro agrada o cárcere. A comparação é eloquente: o corpo é vivido como prisão que limita as faculdades naturais do Espírito, restringindo sua liberdade de movimento, percepção e ação. O Espírito aspira constantemente à libertação dessa condição de confinamento material.
O desejo de libertar-se é tanto mais intenso quanto mais grosseiro for o corpo que reveste o Espírito. Corpos mais densos, mais dominados pelos instintos animais, mais sujeitos a doenças e limitações, intensificam a sensação de aprisionamento. Espíritos mais evoluídos, encarnados em organismos mais refinados, experimentam menor desconforto, embora ainda sintam as restrições inerentes à condição material. Esta compreensão ajuda a entender o alívio que muitos Espíritos expressam ao desencarnarem e a relutância que frequentemente manifestam em aceitar nova encarnação — embora reconheçam sua necessidade para o progresso, a perspectiva de retornar ao cárcere corporal não é naturalmente atraente.