Os pendores instintivos que trazemos ao nascer — inclinações, talentos, medos inexplicáveis, atrações ou repulsões sem causa aparente — podem de fato indicar faltas cometidas em existências anteriores, funcionando como pistas sobre nosso passado espiritual. Uma tendência persistente para determinado vício, por exemplo, pode sinalizar que esse foi terreno de quedas anteriores ainda não completamente superadas.
Porém, essa leitura deve ser feita com cautela. É preciso considerar a melhora que o Espírito pode ter realizado entre uma existência e outra, bem como as resoluções tomadas durante o período de erraticidade. A existência atual pode ser significativamente melhor que a precedente — os pendores remanescentes podem ser resíduos em processo de eliminação, não necessariamente indicadores de faltas graves. O autoconhecimento através dos instintos é ferramenta útil mas imperfeita, que deve ser complementada pelo esforço consciente de reforma moral.