O esquecimento das existências anteriores resulta de determinação sábia da Providência. O ser humano não pode nem deve conhecer tudo sobre seu passado. Sem esse véu protetor, a transição súbita do conhecimento pleno para as limitações terrenas causaria perturbação comparável à de quem passa bruscamente da escuridão para luz intensa. O esquecimento preserva a autenticidade: “esquecido de seu passado, ele é mais ele mesmo”.
Essa aparente limitação constitui, na verdade, benefício. Permite que cada existência seja vivida com genuinidade, sem o peso de memórias que poderiam paralisar ou condicionar indevidamente as escolhas presentes. A identidade atual pode desenvolver-se livremente, construindo seu mérito próprio sem interferência do conhecimento integral das vidas pregressas.