Não há absolutamente nenhum fundamento em considerar a alma de pessoas com deficiência intelectual severa como sendo de natureza inferior. Elas trazem almas humanas como quaisquer outras, frequentemente mais inteligentes do que se supõe pela aparência exterior. O que sofrem é a insuficiência dos meios de que dispõem para se comunicar — exatamente como o mudo sofre da impossibilidade de falar, sem que isso signifique incapacidade de pensar.
A deficiência está no instrumento corporal, não no Espírito que o habita. Um piano desafinado ou com teclas quebradas não permite ao pianista demonstrar sua habilidade, mas a habilidade existe independentemente do instrumento defeituoso. Da mesma forma, um cérebro malformado ou lesionado impede a expressão adequada das faculdades do Espírito, criando aparência de inferioridade que não corresponde à realidade interior. Esta compreensão tem profundas implicações éticas: exige respeito integral por todos os seres humanos, independentemente de suas limitações aparentes, reconhecendo em cada um a presença de um Espírito em processo de evolução.