De volta ao mundo dos Espíritos, a alma conserva todas as percepções que possuía quando encarnada, acrescidas de outras de que não dispunha durante a vida corporal. O corpo funciona como véu lançado sobre faculdades que existem no Espírito mas permanecem obscurecidas pela matéria. A inteligência é atributo essencial do Espírito que se manifesta mais livremente quando não há entraves corporais a vencer.
A encarnação, portanto, não acrescenta capacidades ao Espírito — ao contrário, limita temporariamente as que ele já possui. O corpo é simultaneamente instrumento necessário para certas experiências e obstáculo à plena expressão das faculdades espirituais. Desencarnado, o Espírito recupera amplitude perceptiva que estava velada pela grosseria da matéria. Esta compreensão explica fenômenos como a clarividência de moribundos ou a expansão de consciência relatada em experiências de quase-morte: são vislumbres da percepção ampliada que aguarda o Espírito liberto.