Após a decapitação, o homem pode conservar consciência de si mesmo por alguns minutos, até que a vida orgânica se extinga completamente. Frequentemente, porém, a apreensão da morte faz perder essa consciência antes mesmo do momento do suplício — o terror antecipado produz uma espécie de anestesia psíquica que precede o golpe fatal.
Kardec esclarece que se trata da consciência como homem, através dos órgãos corporais, não como Espírito. Essa consciência orgânica cessa necessariamente com a vida do cérebro. Em todos os casos de morte violenta, diferentemente da morte natural por extinção gradual das forças vitais, os laços entre corpo e perispírito são mais tenazes, tornando o desprendimento completo mais lento e potencialmente mais perturbador. A violência da separação não afeta apenas o corpo — repercute no processo de libertação do Espírito.